| filme 128 | CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL
No universo dos HQs quem tem AVENGERS é rei.
No encontro que tivemos com o Batman e Superman ficamos com aquela sensação estranha de que alguma coisa não estava no lugar. E não estava mesmo! Talvez um Batman blasé demais, talvez uma história fraca demais e lutas sem qualquer criatividade. Pois bem, o novo Capitão América: Guerra Civil é o extremo oposto. Com personagens encaixados e atores cada vez mais na pele dos heróis era só construir uma história mais ou menos e se esforçar nas lutas para o sucesso ser colhido. Mas não é que os irmãos Anthony e Joe Russo e os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely conseguiram mais? Conseguiram talvez superar os limites e fazer o melhor Capitão América da série e um filme tão bom, mas tão bom, que pode ser considerado mais um da franquia dos Vingadores.
O cinemão começa com um quê de sem graça, uma perseguição de uma moto a um carro, uns sacos com fluídos azuis e poucas explicações. O arco da história, então, muda completamente e nos confrontamos, nós e os heróis, com dilemas atuais e muito pertinentes: Capitão América e companhia estão sendo, sistematicamente, acusados de abuso de poder. Prendem os bandidos, mas matam gente que não tem nada a ver com a guerra. De um lado, um sensato (!!!!!!!!) Homem de Ferro argumenta que poderes não podem ser ilimitados, do outro o cara do escudo mais sinistro do planeta diz que inocentes as vezes são sacrificados para que um mal maior seja evitado. E é óbvio que o diálogo não flui, e vamos logo pros socos e pontapés mais sensacionais de todos os filmes até agora.
Capitão América monta seu time, onde se destaca o Soldado Invernal (tão protagonista quanto os outros) e o Homem de Ferro recruta ninguém menos do que o Homem Aranha, ainda garoto, num dos melhores momentos do filme. A história avança e é aí que o roteiro bom aparece. Soluções interessantes são encontradas para os desfechos de algumas histórias e a abertura de outras. Nada é desperdiçado. Nenhuma história é encerrada totalmente e, ao mesmo tempo, nenhuma deixa lacunas dentro do próprio filme. De certa forma, todos os heróis dão suas contribuições, todo mundo tem seus 10 minutos de fama. E tudo se encaixa perfeitamente, até o início reencontrando o final, num desfecho pra lá de surpreendente.
A forma como a Marvel Studios e a Disney exploraram esse duelo entre o Cap.América e o Homem de Ferro merece aplausos. E o filme mexe, a todo o momento, com a questão do protagonista x antagonista. É esse mote, inclusive, que deve ser explorado daqui pra frente, em todos os filmes da série. Diferentemente do que foi feito em Batman x Superman, a opção por confrontar ideologias dentro do mesmo grupo foi extremamente acertada e rendeu diálogos e dilemas que saem do cinema e invadem as conversas de quem assistiu. Filmes assim, que a gente leva pra casa depois que sai da sala escura, são aqueles com os quais a gente resolve namorar, casar e viver para o resto da vida. E depois vão ganhar todas as comparações! Todas!