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| filme 18 | COMER, REZAR, AMAR

Você já tomou uma atitude egoísta para voltar a ter equilíbrio?

“Lembra quando falou que devíamos ser infelizes juntos pra sermos felizes?  Considere uma prova do quanto te amo eu ter passado tanto tempo tentando fazer essa idéia dar certo. (...)  Todos queremos que as coisas permaneçam iguais, David. Aceitamos viver infelizes porque temos medo da mudança, que as coisas acabem em ruínas.  Aí, eu olhei esse lugar, o caos que ele suportou, o modo como foi adaptado, queimado, pilhado e depois encontrou uma maneira  de ser reconstruído, e me tranqüilizei.  Talvez minha vida não tenha sido tão caótica. O mundo que é, e a única armadilha real é nos apegarmos às coisas.  A ruína é uma dádiva. A ruína é o caminho que leva à transformação.”

É complicado filmar um livro de grande sucesso. Comer, Rezar, Amar, o livro, é um best seller com milhões de exemplares vendidos no Mundo todo. A autora, Elizaberth Gilbert, narra sua própria experiência em busca de sentido e paz para sua vida. Inúmeros fãs aguardavam ansiosos a transposição para a telona. Para dar conta de tanta expectativa, Julia Roberts foi chamada para viver a protagonista.

A linguagem adotada seguiu à risca o livro: é um filme de auto-ajuda. Não que isso seja demérito. Talvez se tentasse uma outra saída, o direto Ryan Murphy não iria conseguir o bom resultado que vemos na tela. O filme é ótimo para ver. Obviamente agrada, em cheio, nós mulheres. Alguns homens com menos paciência não vão ter saco para encarar uma história em que todas as figuras masculinas possuem, também, uma sensibilidade exacerbada.

A sacação interessante é que, em todos os momentos que a protagonista consegue achar as palavras certas temos a junção delas com imagens que também nos emocionam. Ou seja, há um adendo ao bom texto contido no livro: imagens que também ajudam no processo de entendimento.

“Aprenda a lidar com a solidão. Aprenda a conhecer a solidão. Acostume-se a ela, pela primeira vez na sua vida. Bem-vinda à experiência humana. Mas nunca mais use o corpo ou as emoções de outra pessoa como um modo de satisfazer seus próprios anseios não realizados.“

Elizabeth desfaz um casamento morno porque sente que pode ser mais feliz. Não que ela não seja feliz, ela apenas quer mais. No processo conhece outro homem, com quem vive bem por um tempo, mas que ainda assim não preenche o vazio que ela tem. Decide então não procurar mais a felicidade em outra pessoa. Vai atrás de algo que venha de dentro pra fora e decide fazer isso dá forma que todos nós sonhamos: viajando pelo Mundo.

Confesso que eu sairia até de um casamento feliz e pleno, só para ter uma experiência dessas. Brincadeiras à parte, a moça une três atividades fundamentais na vida de qualquer um: comer, rezar e amar. Alguns agnósticos podem descartar a segunda opção. Confesso, também, que a macarronada que ela come em Roma foi um dos momentos mais marcantes do filme. Vontade de entrar na tela do cinema e cair na cadeira, ao lado de Julia Roberts.

“Galopamos pela vida como artistas de circo, equilibrados em dois cavalos que correm lado a lado a toda velocidade – com um pé sobre o cavalo chamado ‘destino’, e o outro sobre o cavalo chamado ‘livre arbítrio’. E a pergunta que você precisa fazer todos os dias é: qual dos cavalos é qual? Com qual cavalo devo parar de me preocupar, porque ele não esta sob meu controle, e qual deles preciso guiar com esforço concentrado.”

O filme pratica um tom leve durante todo o tempo, outro ponto positivo. O tom professoral de obras de auto-ajuda fica, assim, abrandado. É uma produção que diverte e faz pensar um pouco na vida e nas nossas escolhas.

Comer, Rezar, Amar marcou uma fase na minha vida. Ajudou muito dentro de um contexto que eu estava vivendo e ainda me faz lembrar de amigos queridos que dividiram a projeção comigo (na verdade não consigo dissociar esse filme de uma pessoa). A busca pela felicidade é algo muito pessoal. Não há como jogar o peso da nossa felicidade ou infelicidade em cima de outra pessoa. Somos responsáveis pelo bem que nos fazemos e, também, por afastar o mal que fazem pra gente. Escolhas. Escolher ser feliz machucando outras pessoas. Escolher ser feliz junto com outra pessoa. Escolher ser feliz sozinho. De todas as formas o primeiro passo, e o mais importate, é buscar paz e equilibrio dentro da gente.
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Renata Jamús
É uma apaixonada por cinema. Foi mestre em "discursos do Oscar" na infância. Teve três ou quatro muito bons, que eram constantemente lidos para os pais babões de plantão. Os mitos hollywodianos eram como amigos da rua. Habitavam sua casa, desde sempre. | COLEÇÃO DE FILMES | FACEBOOK | TWITTER

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