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CINEMÃO DE ENCHER OS OLHOS!
Wes Anderson tem um jeito bem peculiar de contar histórias. Para começo
de conversa, seus filmes são quase sempre marcados por uma fotografia
deslumbrante. A direção de arte, cenários e figurinos completam o quarteto que
o diretor resolveu investir para deixar a sua marca na direção de filmes. Mas, e a história? Sobre qual enredo o diretor ergue seu combinado técnico de imagens?
Bem, as histórias são as mais simples possíveis. Fala de gente, vivendo
excentricidades e reagindo aos acontecimentos com a singeleza que todos nós
carregamos.
No maravilhoso MOONRISE KINGDOM, um dos seus maiores sucessos, Wes
desfila apuro estético por uma família totalmente maluca e nos joga na história
de amor de dois adolescentes. Os personagens excêntricos são, ao que parece, o
tema preferido na hora de elaborar seus enredos.
O Grande Hotel Budapeste já tem nome diferente. Não é de se espantar que
o desfile de tipos bizarros seja uma constante durante as duas horas e poucos
minutos de projeção. O filme começa com um velho autor explicando como inicia
seu processo de escrita. Numa frase emblemática diz que “os personagens
apresentam a história para ele”. E então volta ao passado para lembrar alguns
condutores de contos que encontrou quando se hospedou no Grande Hotel
Budapeste. Narra um especial encontro com o velho e cansado dono do hotel. Na conversa que se segue somos remetidos a outro momento e apresentados aos dois
protagonistas da história: o concierge M. Gustave e o chamado "lobby boy" Zero. A
dupla protagoniza e aparece em 80% do filme. Ralph Fiennes está soberbo como o
refinado e afetado, porém másculo, funcionário que é a alma do Budapeste. Tony
Revolon é o garoto que empresta um ar assustado e admirador ao protegido de
Gustave. Um ponto que merece destaque é o elenco que transita em pontas e
papeis importantes. É estelar: Adrien Brody, Willem Dafoe, Jude Law, Jason
Schwartzman, Harvey Keitel, Jeff Goldblum, Tilda Swinton, Owen Wilson, Tom
Wilkinson, Edward Norton, Léa Seydoux entre outros.
A sinopse mínima pode ser explicada sucintamente: Gustave se torna
herdeiro de uma enorme herança, mas a família da falecida não aceita de forma
alguma a nova realidade sem dinheiro e corre atrás do pobre (rico) concierge.
Zero, fiel escudeiro, se torna cúmplice dos planos de M.Gustave para se livrar
da família e cuidar da herança. A história dentro da história, dentro da
história. E os personagens que fazem tudo acontecer. Bem que o velho escritor
havia nos contado no início do filme.
Mas não é apenas isso. Wes Anderson sabe
contar histórias. Sabe contar coisas simples através de imagens simplesmente
inacreditáveis. A fotografia, edição, direção de arte, figurino e maquiagem
estão todas indicadas ao Oscar de 2015. E não surpreenderia absolutamente
ninguém se ganhassem todas. É impressionante como visualmente tudo combina. A produção ainda recebeu as indicações mais importantes para melhor roteiro
original, melhor diretor e melhor filme. A trilha sonora, que mais uma vez,
assim como em Moonrise, Wes consegue transformar em parte intrinsecamente
ligada ao filme também está indicada ao Oscar. São NOVE indicações e um
esquecimento bizarro: inacreditável Ralph não estar entre os indicados.
Mas, prêmios à parte, vale se entregar ao desbunde visual e ao jeito
caseiro de contar histórias de um dos diretores mais autorais da atualidade.
Que Wes continue criando esses Mundos coloridos e loucos. Seria bem legal se a
vida fosse assim de verdade.
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| filme 119 | O GRANDE HOTEL BUDAPESTE
2015-01-22T15:03:00-08:00
Unknown
Comédia|Oscar2015|Ralph Fiennes|Wes Anderson|